Mostrando postagens com marcador imperfeições. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imperfeições. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Padrões de beleza...

Sei que esse é um assunto muito batido, mas hoje senti vontade de falar a respeito.
Ontem assisti a um programa de TV junto com Francisco, acho que na Discovery ou em algum desses canais de TV por assinatura. Era sobre um fotógrafo que resolveu registrar "mulheres normais" sem photoshop e nenhum outro programa de edição de imagens. Tratava-se do tão falado "empoderamento" das mulheres. Eu não sou nada fã desse termo, não sou feminista (aliás não gosto de nenhum tipo de discurso extremista, seja feminismo, machismo, coisas afins). Mas sinceramente fiquei sem entender muito o objetivo desse fotógrafo. 
Muito se fala em padrões de beleza, em modelos inalcançáveis para nós, mulheres normais, que tem estrias, celulite, flacidez. Não parecemos manequins de loja, sem nenhuma marca no corpo. Aí vem um fotógrafo com o objetivo de mostrar a realidade, as mulheres como elas são, com todas as suas imperfeições. E o que nós vimos nesse documentário foi exatamente as modelos inalcançáveis, fazendo questão de dizer que nenhum truque foi usado e que lá estavam elas, com suas imperfeições. Aham... Que imperfeições??? Mulheres plasticamente perfeitas, barrigas sem nenhuma dobra, mesmo em poses altamente desfavoráveis, nada de celulite ou estrias, nenhuma flacidez, seios no lugar, bumbum lisinho. Na verdade, o que ele mostrou nada teve a ver com mulheres normais mostrando imperfeições. Ali estavam modelos muito bem pagas, que vivem a vida cuidando incansavelmente dos seus corpos e que nada se parecem com as pessoas que encontramos no dia-a-dia, com as nossas colegas de trabalho, de faculdade, com as mulheres que vemos nas praias ou clubes. Se o objetivo era mostrar imperfeições de mulheres comuns, eram essas as mulheres que deveriam ser mostradas. Mulheres comuns. 
Claro que ninguém quer ver o feio, ninguém quer fotos de mulheres com estrias, celulites, flacidez... Todos gritam pela aceitação, mas preferem ver a perfeição. O que eu me questiono é com a hipocrisia do projeto. Se a intenção era mostrar as imperfeições de mulheres comuns, para que mostrar a perfeição dos corpos esculpidos dessas modelos, que nada tem de comuns?
Eu já tenho 42 anos e não estou mais tão preocupada em ter corpo perfeito. Gosto de fazer exercícios físicos e cuido da minha alimentação, procuro ser o mais saudável possível, porque gosto de me olhar no espelho e ficar feliz com o que vejo, não gosto de engordar muito, nem de emagrecer demais, pois aparecem mais as imperfeições que eu tenho. Sim, porque eu sou uma mulher comum. Não sou uma modelo. Nunca fiz plástica, embora até tenha vontade. Me falta um pouco de coragem e muito de dinheiro. Mas meu objetivo maior é me aceitar, da maneira que eu sou. E tenho conseguido. 
Mas me pergunto quantas meninas, adolescentes, que também não tem o corpo perfeito, liso, sem nenhuma celulite ou estria (o que hoje é bem difícil, vejo bebês com celulite), veem um programa como esse e se perguntam porque o corpo delas também não é perfeito. Aí temos meninas enlouquecidas, para chegarem perto do corpo de uma dessas modelos, que segundo o programa são mulheres comuns com imperfeições... Ok. Juro que procurei uma imperfeição que fosse em uma das muitas modelos fotografadas. E olha que sou bem crítica. Não vi nenhuma. Nenhuma imperfeição. É assim que se busca fazer um projeto para que as meninas se aceitem? Se "empoderem"? Não creio, de verdade. 
Muitas das mulheres que assistiram esse programa devem ter terminado ainda mais infelizes com os seus corpos, já que as "mulheres comuns com imperfeições" estavam ali sem filtro, sem photoshop e não tinham nem um terço das nossas imperfeições reais. Aliás, de verdade, fisicamente não tinham imperfeição nenhuma. Grande hipocrisia! 
As fotos eram belíssimas, as modelos mais ainda, o fotógrafo - um excelente profissional. O que eu questiono é o motivo. Ali nada tinha a ver com incentivar a aceitação dos corpos imperfeitos ou "empoderar" mulheres comuns. Mais uma vez era um programa de TV nos mostrando corpos perfeitos e padrões praticamente inatingíveis para a maioria das mulheres. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Perfeitas imperfeições

Esses dias reli um post antigo sobre minha mania de perfeccionismo e o quanto isso sempre me atrapalhou durante a minha vida inteira. Existem alguns defeitos que são inerentes à nossa personalidade e alguns a gente pode e deve tentar melhorar, para o nosso próprio bem estar. A minha pressa e agnoia de viver tudo pra ontem, eu nunca consegui mudar! É algo que algumas vezes me atrapalha, mas esse realmente é um defeito que faz parte de um alicerce meu, como dizia Clarice Lispector: "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
Mas o perfeccionismo é um defeito que sempre me incomodou, porque atrapalha muito minha vida, desde a infância. E tudo o que nos trava, de certa maneira, deve ser trabalhado. Não vou dizer que me curei, ainda sou muito perfeccionista, mas agora já aceito mais as imperfeições, sejam elas naturais ou que apareçam ao longo da vida. Eu lembro da minha infância, que minha mãe começava a me arrumar umas duas horas antes de me levar ao colégio, porque eu queria que meu cabelo ficasse perfeito. Eu gostava de usar "maria-chiquinha" e tinha que ficar simetricamente perfeito em altura, olhava atrás para ver se estava bem reto o traço do cabelo, enfim uma neurose mesmo, como se alguém no colégio fosse medir com uma régua o meu penteado... e como se ele não fosse puxado por alguma menina implicante... ¬¬
Ninguém é simétrico, como eu desejaria ser. Aliás, não desejo mais. Aprendi a lidar com as imperfeições, até porque me lembro de há alguns anos ter visto numa reportagem na TV mostrando uma mulher, considerada a mais simétrica do mundo, um lado do rosto era completamente igual ao outro e sinceramente, não vi graça nenhuma nela. Não era a mulher mais linda do mundo e as pessoas que eu acho mais bonitas, estão muito longe de ser perfeitas. E de ser simétricas. Então parei com essa neura, já que não tenho mesmo um lado igual ao outro, se eu tirar uma foto imóvel 3x4 é bem nítido que um lado meu é muito diferente do outro, uma sobrancelha é mais baixa que a outra, um lado da minha boca é mais caído que o outro, tanto que odeio fotos sérias, onde isso fica mais acentuado, mas por outro lado isso é bom, já que me faz viver sorrindo! Não gosto mesmo desse estilo de foto que as pessoas mandam tirar: "faz carão!" Odeio carão, odeio bico de pato, gosto mesmo é de sorriso largo! =)
Parei com a neura com as tatuagens também, antes eu tinha uma mania de perfeição tão grande que gastava mais dinheiro retocando tatuagens que não tinham ficado perfeitas do que fazendo novas, que eu realmente queria. Amo todas as minhas tatuagens, mesmo algumas não tendo ficado exatamente como eu queria, porque elas simplesmente representam (todas) um momento da minha vida. Como diria minha tia Lúcia, não é nariz de santo para ser perfeito. Sim, depois que ela falou isso, parei pra observar: os narizes de santos são perfeitos, todas as imagens de santos que eu vejo tem o nariz impecável. E o meu nariz não é perfeito, é o nariz dos Boaventura, e já que também não é parecido com o bico de um tucano, me conformei com ele. Se eu tivesse que fazer plástica, com certeza não seria no rosto, poucas vezes vi alguém mexer no rosto e ficar bom... Parece que muda a pessoa completamente e eu gosto muito de ser eu mesma.
Enfim, aprendi a ficar em paz com a minha falta de simetria, aprendi que conseguir ver os próprios ângulos (mesmo os não favoráveis) e conviver com eles é bem legal. Aprendi que a beleza realmente não é reduzida ao que vemos, porque existem pessoas absurdamente lindas e que não transmitem nada além da beleza plástica e beleza sem algo mais é como olhar para uma boneca de cera ou um manequim de loja. O que nos encanta vai muito além da perfeição.